O Fojo

Chaves, Trás-os-Montes, Portugal
Beirão de nascimento, trasmontano por adopção. Nasci em Ferreirim de Sernancelhe, distrito de Viseu, onde fiz a escola primária. Fiz os estudos secundários no Liceu Latino Coelho, em Lamego. A partir de 1972, iniciei estudos na Faculdade de Direito de Coimbra. Em 1978, enquanto estudante, leccionei na Escola Secundária António Inácio da Cruz, em Grândola. Em 1981 leccionei na Escola Secundária de Santiago do Cacém, depois, novamente em Grândola, e em 82/83 na Escola Secundária Dr. Júlio Martins, em Chaves. Em 1985 realizei estágio no 7.º Grupo, em Vila Pouca de Aguiar. Em 1990 regressei a Chaves, desta feita para ingressar no quadro do pessoal docente da Escola Secundária Fernão de Magalhães. Em 2005, Curso de Especialização Pós-Licenciatura em Administração Escolar e Educacional pelo IPB. Em 2011, Curso de Formação em Gestão e Administração Escolar pelo ISEG.

Porquê "O Fojo"?

Chama-se Fojo, como poderia chamar-se Pombal, Cipreste, Gode, Praça, Arrabalde, Tanque, Liberdade, (...). Como poderia chamar-se "A Minha Aldeia". Porque quero que a minha aldeia continue a ser o meu microcosmos, donde visualizo o mundo que fui calcorreando, por vezes de um modo calmo e sereno, outras vezes aos trambolhões e de um modo turbulento.
E é bom que assim seja, para não nos perdermos e continuarmos a ser coerentes com as nossas raízes.
O Fojo não é uma toca, não é um esconderijo. É antes uma interioridade. Talvez um refúgio para onde me posso retirar e reencontrar no íntimo do meu ser, de modo a abandonar o que não me pertence e o que se me agarra de uma forma estranha e por vezes doentia.
O Fojo é, no fundo, a minha aldeia com as suas gentes, a sua religiosidade, os seus costumes ancestrais, os seus vinhedos, os seus olivais, o seu granito, o seu húmus, (...). Representa também todos os locais por onde passei, todas as pessoas que conheci, todas as vivências que interiorizei, a partir desse microcosmos.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Monte Gordo

Centro de Monte Gordo

Visita ao Farol

Pôr do Sol visto do Farol de VRSA


Farol de Vila Real de Santo António
Lá do alto vi barcos, aventuras e desventuras, tempestades, luzes, mares revoltos. Vi os nossos marinheiros a descobrir mares e terras. Vi Camões a salvar "Os Lusíadas".



segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Olimpíadas de Pequim

Nós, portugueses, somos muito fanfarrões. Que nos jogos Olímpicos de Pequim vamos ganhar 5 ou 6 medalhas. A ver vamos. A Telma Monteiro, uma das favoritas à vitória no judo, ficou-se pelo 9.º lugar.
O mesmo aconteceu no europeu de futebol de 2004, no mundial de 2006 e no europeu de 2008.

100 livros que mudaram a vida de 100 escritores

A revista "El País Semanal", de 10 de Agosto de 2008, tem por título CIEN ESCRITORES EN ESPAÑOL ELIGEN LOS 100 LIBROS QUE CAMBIARON SU VIDA. Nos dez primeiros estão: D. Quixote, de Cervantes; Em Busca do Tempo Perdido, de Proust; Odisseia, de Homero; O Processo e A Metamorfose, de Kafka; Ana Karenina e Guerra e Paz, de Tolstoi; Moby Dick, de Melville; Contos, de Chekov; e Ficções de Luís Borges. A lista continua com autores muito conhecidos e muito bons, como não podia deixar de ser.
Em 37.º lugar aparece O Livro do Desassossego, de Fernando Pessoa.
Esta lista é uma espécie de ranking da literatura a que os nossos vizinhos chamam canon.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Prémios

O Ministério da Educação decidiu atribuir 500 € ao(s) melhor(es) aluno(s) de cada escola do ensino secundário. Fica-se com a impressão de que a educação também se compra.
Já não direi o mesmo relativamente à oferta de um livro a cada aluno que vai frequentar o 1.º ciclo do ensino básico.

Jogos Olímpicos

Hoje começam os Jogos Olímpicos de Pequim.
Este evento permite mostrar ao mundo o que um país tem de bom e de menos bom. Não só no plano desportivo mas também no político, social, económico, etc.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Leituras de férias

Leio "D. Teresa - A Primeira Rainha de Portugal", de Marsilio Cassoti, da Esfera dos Livros, com um prefácio de Guilherme D'Oliveira Martins.
Casamentos, rivalidades, descendências, poder, educação, vidas privadas - um pouco de tudo, da que foi a mãe da nação portuguesa.

sábado, 2 de agosto de 2008

O Estatuto dos Açores

Pela leitura que fiz pelos jornais, dou razão a Cavaco Silva. Pena foi que não tivesse enviado essas dúvidas ao Tribunal Constitucional no seu devido tempo.

Leituras de férias

Já ouvi falar muitas vezes de Maquiavel durante a minha formação académica. No entanto, só ontem comecei a ler o Príncipe na íntegra, da Editorial Presença, com uma extraordinária introdução de José António Barreiros.

Férias

Mais umas férias para recarregar baterias e preparar-me para mais um ano lectivo, que se prevê complicado.

sábado, 12 de julho de 2008

Ferreirim

Mais um encontro com as minhas origens.
Aqui sinto os pés agarrados ao chão.

domingo, 8 de junho de 2008

Portugal 2 - Turquia 0

Começou o Europeu 2008.
A equipa portuguesa jogou bem: com qualidade, com consistência, com vitalidade, com determinação. Se jogar sempre assim, irá longe. Mas, como todos sabemos, a bola é redonda.
É um feito que nos anima a todos, essencialmente os emigrantes que sentem orgulho do país de que são origem.

domingo, 1 de junho de 2008

A crise

Aquecimento global, subida dos preços dos combustíveis e dos cereais. O mundo da abundância exagerou no consumismo e no bem estar. Abandonou e desprezou a Mãe-Natureza. O homem talvez tenha que pagar por alguns dos seus erros se quiser e for capaz de repor o equilíbrio natural das coisas. Quem sabe destruir também deve saber construir!

sábado, 31 de maio de 2008

Passeio Pedestre a Santa Bárbara - Ventuzelos



Pelo caminho captei este belíssimo castanheiro

Para comemorar o Dia Mundial Sem Tabaco a Escola Fernão de Magalhães organizou um passeio ao Santuário de Santa Bárbara - Ventuzelos.
Quando a tempestade se torna iminente, reza o povo:
Santa Bárbara bendita
Que no céu está escrita
E na terra assinalada
Pedi a Nosso Senhor
Que nos livre desta trovoada.
(In Roteiro de Chaves-G. C. Aquae Flaviae,1998).

domingo, 25 de maio de 2008

De cima do meu monte

De cima do meu monte
Observo o mundo desconhecido,
Revejo amigos e inimigos,
Recordo amores e desamores
Alegrias e tristezas
Enganos e desenganos.


De cima do meu monte
Vejo-me a mim
Perdido
À procura de um caminho
Que tenha um sentido.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Evocação do General Humberto Delgado


A Câmara Municipal de Chaves evocou a passagem do General Humberto Delgado pela cidade de Chaves há precisamente 50 anos, em 22 de Maio de 1958. A sessão decorreu, ontem, dia 21 de Maio, na Biblioteca Municipal.
Depois das intervenções do Sr. Presidente da Câmara e do Dr. Júlio Montalvão Machado, o autor da obra, Frederico Delgado Rosa, relatou os aspectos mais relevantes da vida de Humberto Delgado, referindo a tramóia maquiavélica que resultou no assassinato do General. Fez ainda referência à gravação do discurso do biografado efectuado nesta cidade, e que é hoje o único registo sonoro da campanha eleitoral, guardado durante décadas no quintal do Dr. Júlio Montalvão.
A vida das pessoas, tal como as dos povos, tem percursos, que não sabemos como seriam, se tivessem tido um rumo diferente. Mas o lado negro de algumas personagens acaba também por fazer História e desviar, muitas vezes, o seu percurso natural.

domingo, 18 de maio de 2008

Catástrofes

O ciclone Nargis já fez dezenas e dezenas de milhar de vítimas. No entanto, segundo o jornal Público, a junta militar da Birmânia ainda não passou "visto de entrada ao subsecretário-geral da ONU para os Assuntos Humanitários, John Holmes, nem a outras personalidades que pretendem ajudar a resolver a situação de calamidade". Quando se trata deles - os ditadores - não perdem tempo a salvar a sua pele.
Na China, um forte sismo também vitimou milhares e milhares de pessoas. Praticamente a região de Sichuan ficou arrasada.

Falecimento de um amigo

O fim da Vida é sempre algo de muito doloroso, essencialmente para os mais próximos. Mas é ainda mais doloroso quando vem cedo e de um modo quase imprevisto. A Morte é um enigma, é algo sobre a qual não sabemos nada, que se aproxima de nós e nos leva quando muito bem entende.
Escreveu Goethe:
"A Morte é uma impossibilidade
que, de repente,
se torna realidade".

Melres

Ontem, dia 17, reunião familiar no casamento de um primo em Melres, vila e freguesia do concelho de Gondomar. Depois da cerimónia, o repasto, e, a terminar, bailarico.

Melres com o rio Douro ao fundo

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Livros e leituras

Gosto de me rodear de livros: na biblioteca, na sala, no quarto, em todo o lado. Deixar-me embeber de livros e de leitura, aconchega-me e ajuda-me a apreciar o mundo de outra maneira.
Por isso, mais um livro do Manuel António Teixeira Araújo, de José Saramago, de Agostinho da Silva (...), para esse contributo afectivo e de saber, para melhor me ajudarem a compreender o mundo que me rodeia.

sábado, 26 de abril de 2008

Regresso às origens

Mais uma visita à Beira Interior com passagem por Viseu. Uma pausa ao desassossego profissional.
Adquiri a biografia do "Marechal Costa Gomes", de Luís Nuno Rodrigues, d' a esfera dos livros. Vou ver se arranjo algum tempo para ler e recordar alguns momentos políticos do pós 25 de Abril, vividos por um flaviense.

Interregno

Desde o dia 23 de Março que não escrevo neste blogue. Os afazeres profissionais não me têm proporcionado ambiente mental para me dedicar a esta tarefa.
Muito aconteceu nestes dias: no dia 1 de Abril, intercâmbio com Verín; dias e dias de preparação para a avaliação externa da Escola, que decorreu nos dias 14 e 15; reuniões e mais reuniões. Daí o ter-me passado o 1.º aniversário (no dia 12) deste blogue e muitas outras coisas da minha vida particular.

domingo, 23 de março de 2008

Páscoa 2008

Como já referi noutras ocasiões, gosto sempre de comparar o agora com o antes. Neste caso, comparar as festividades pascais aqui e agora com as que vivi na aldeia, na infância e na adolescência. Fico sempre com a sensação de que o antes era muito melhor. Penso que era mais vivido, mais sentido. A Páscoa era religiosidade, alegria e convivência familiar e social. A visita pascal que decorria em todos os lares era bem um exemplo do que acabo de referir.
Este ano tive a visita de familiares. Trabalhei um pouco e li a imprensa diária e semanal. Foi muito comentado o comportamento de uma aluna para com uma professora por causa de um telemóvel. Infelizmente, o que se passou, não foi um caso isolado. É preciso que as pessoas se respeitem umas às outras, sejam disciplinadas, colaborantes e trabalhem todas para o bem comum. Todos temos alguma culpa na sociedade em que vivemos, e muito temos a dizer sobre o tipo de sociedade que queremos ter no futuro - a começar pela opinião da própria juventude.

sexta-feira, 21 de março de 2008

Por Terras Barrosãs

Passeio com familiares por terras do Barroso: Montalegre, Pisões, Carvalhelhos, Boticas. Por aqui ainda se pode apreciar a paisagem no seu estado mais natural.
Boticas

Carvalhelhos

Barragem do Alto Rabagão

sábado, 15 de março de 2008

X Feira do Folar - Valpaços

A X Feira do Folar foi o pretexto para uma visita a esta moderna cidade. Uma cidade jovem, em franco desenvolvimento.
Fui, vi, provei e gostei.




Rio de Sombras

Ontem, dia 14, lançamento do romance Rio de Sombras de António Arnaut nos claustros do Governo Civil de Vila Real. Apresentou a obra a Drª Maria da Assunção Anes Morais. Ainda não li o livro, mas, pelo que ouvi na sessão, o autor romanceia acontecimentos ocorridos entre 1968 a 1988, em Coimbra, na beira aquiliniana e noutros locais. O autor continua igual a si mesmo: aos seus princípios e aos seus valores. Por isso, é um crítico a muitas políticas seguidas pelo actual Governo.
Aproveitei para comprar na Bertrand o livro 1808 (como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil) de Laurentino Gomes, editado pela LIVROS D´HOJE.

domingo, 9 de março de 2008

Avaliação

Diz António Barreto no Público de hoje relativamente à política do Ministério da Educação: "O Governo queria organizar uma cruzada, fazer tudo ou nada, agir por enxurrada e realizar tudo ao mesmo tempo, em todo o sítio e para toda a gente. Com este método, os erros tomam uma dimensão colossal e torna-se impossível corrigir o que quer que seja." Este ambiente sente-se nas escolas, e - diria até - que alguns desses erros poderão ser irreparáveis, provocando um efeito dominó de graves consequências. É urgente parar para pensar e dialogar.

domingo, 2 de março de 2008

Testemunhos

TESTEMUNHOS é o título de um livro que, como diz a sua coordenadora Ana Maria Tavares Elias da Costa Guimarães, "não pretende ser mais do que uma compilação de textos e fotografias", que dão a conhecer a vida da Escola Secundária Dr. Júlio Martins, desde os seus primórdios, passando pelo 25 de Abril até aos nossos dias
No dia do lançamento do livro recordei alguns momentos vividos neste estabelecimento de ensino nos anos lectivos 1983 a 1985, onde leccionei as disciplinas de Introdução à Economia, Sociologia e Direito.

O Estatuto do Aluno

Daniel Sampaio na Pública de 2/3/08 escreve: "O Estatuto do Aluno é um documento errado no seu conteúdo, impossível de aplicar na prática e potenciador de conflitos entre pais, alunos e professores." De seguida enumera 7 razões para comprovar o que afirma. Remata o artigo afirmando: "o estatuto tem de estar morto, nunca apenas suspenso".

sábado, 1 de março de 2008

Semana alucinante

Ultimamente muitas escolas têm trabalhado de manhã, à tarde e à noite. Assim vão os tempos actuais. No mínimo, o Conselho Executivo da escola onde trabalho realizou cerca de 7 reuniões. Na segunda feira reunião em Valpaços sobre os cursos EFA. Terça-feira Reunião do Conselho Pedagógico, da Assembleia de Escola, do CNO (Centro Novas Oportunidades). Quarta sobre os planos de melhoria. Quinta novamente sobre o CNO. Sexta reunião da Comissão Pedagógica do Centro de Formação Chaves Boticas. Ao fim do dia de sexta mais uma sessão de certificação do CNO. Já não para falar das reuniões de departamento realizadas pelos coordenadores. Com toda esta azáfama esquecemo-nos de muitas outras coisas muito importantes, como por exemplo dos alunos, que são a causa principal da existência das escolas.

domingo, 17 de fevereiro de 2008

De passagem pela vila de Santo Estêvão

Domingo de manhã muito agradável. Depois de meter gasolina em Espanha, viro em direcção a Santo António de Monforte, passo pela barragem das Nogueirinhas e visito a Vila de Santo Estêvão. Na fachada do Centro Comunitário recordei momentos históricos do nosso país (os nossos Reis e as principais façanhas das nossas descobertas). Uma obra social e pedagógica.

Reis de Portugal



Centro Comunitário de Santo Estêvão


Barragem das Nogueirinhas

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Notícias de hoje

O jornal Público na primeira página diz que "Sócrates reúne-se com professores do PS para travar contestação". Oxalá os colegas refiram os verdadeiros problemas que as escolas vivem actualmente.
O semanário Sol refere que autarca e deputado do PSD foi constituído arguido por "suspeitas de favorecimento de empresa construtora de hotel na marginal da Figueira da Foz". Que a Justiça está em "risco de apagão geral" e que "construtor de Almada denuncia pressões da Câmara ..."
Por sua vez o semanário Expresso escreve: "Como o Governo Santana Lopes ofereceu um casino".
Nunca mais nos endireitamos de modo a pensarmos no país e não em lobys ou interesses particulares.

Passeio pela Serra do Brunheiro



segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Sim, sei bem

Sim, sei bem
Que nunca serei alguém.
Sei de sobra
Que nunca terei uma obra.
Sei, enfim,
Que nunca saberei de mim.
Sim, mas agora,
Enquanto dura esta hora,
Este luar, estes ramos,
Esta paz em que estamos,
Deixem-me crer
O que nunca poderei ser.

(Fernando Pessoa)

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Dia de Carnaval

Hoje não é dia de folia para os peixes do rio Tâmega.

sábado, 2 de fevereiro de 2008

A gestão das escolas

Está a tornar-se difícil gerir as escolas. E isto porque há uma avalanche de diplomas que chegam diariamente, de tarefas a realizar, de burocracia a cumprir com prazos estabelecidos, de colegas desmotivados e cansados, de alunos indisciplinados, de pais que pouco se interessam com os filhos.
Hoje, muitas escolas oferecem o Ensino Regular, Cursos de Educação e Formação, Cursos Profissionais, Ensino Recorrente, cursos de Educação e Formação de Adultos, Centros Novas Oportunidades. Há ainda os exames a nível de escola, testes intermédios a nível nacional, o novo estatuto do aluno, a avaliação do pessoal não docente, reuniões e mais reuniões. Acrescento as candidaturas financeiras a muitos daqueles cursos, com contabilidade própria. A actualização constante de Projectos Educativos, de Regulamentos Internos, de Planos Anuais de Actividade e de muitos outros regulamentos. Alguns deles terão de ser actualizados por causa da avaliação de desempenho dos professores, e, posteriormente, aquando da publicação do diploma sobre a nova gestão das escolas. Leccionar e realizar todo este trabalho, é cansativo, é penoso, é frustrante e até desumano, na medida em que muitos desses documentos se alteram com a ideia de que daqui a uns meses teremos que o fazer novamente. Muitas vezes, temos que trabalhar no escuro, por falta de diplomas, que regulamentem situações ainda por esclarecer, como é o caso do trabalho a realizar no âmbito da avaliação de desempenho do pessoal docente.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Recomendações sensatas

Sobre o processo de avaliação de desempenho dos docentes a Assembleia de Escolas (constituída por 60 conselheiros representantes dos Conselhos Executivos de todo o país) decidiu elaborar as seguintes recomendações:
"i. O Ministério da Educação deve diferir o processo de avaliação de desempenho do pessoal docente, entretanto iniciado, para momento posterior ao da publicação de todos os documentos, regras e normas legais previstos no Decreto-Regulamentar 2/2008 de 10 de Janeiro.
ii. Cumprida que esteja a publicação das normas referidas no ponto anterior, deve o Ministério da Educação conceder às escolas um período de tempo mínimo e necessário à adequação e actualização dos seus instrumentos de regulação internos, designadamente o Projecto Educativo, o Regulamento Interno e o Plano Anual de Actividades.
iii. O Ministério da Educação deve suspender, até que sejam corrigidas, as informações que estão a ser veiculadas no fórum criado pela DGRHE sobre esta matéria e que se reputam de erróneas.
iv. Mais uma vez, este Conselho reitera junto do Ministério da Educação, o entendimento de que é manifestamente inexequível a aplicação do novo modelo de avaliação do pessoal docente, nos termos, prazos e procedimentos com que está actualmente a ser aplicado."

domingo, 27 de janeiro de 2008

As próximas semanas

A educação em Portugal tem sofrido transformações radicais em todos os sentidos. Para a próxima semana lá teremos que continuar a batalhar na avaliação de desempenho do pessoal docente, apesar de faltarem muitos diplomas que venham clarificar várias situações ainda obscuras. O processo legislativo tem andado um pouco desgarrado daquilo que caracteriza um verdadeiro Estado de Direito Democrático. A pressa, por vezes, não é a melhor conselheira. Como diz o povo:"Devagar se vai ao longe". Ou ainda: "Nem oito nem oitenta".
O projecto de decreto lei sobre a gestão escolar também está aí para debate. Muitas alterações se avizinham para o próximo ano lectivo.

As Caldas de Chaves

Fernando Castro
Passear à noite permite-nos apreciar a cidade de uma outra maneira e ver a lua lá longe ... enigmática.

sábado, 19 de janeiro de 2008

De visita ao S. Caetano

Casino de Chaves
Inauguração do Casino de Chaves.
Lembrei-me de "O Jogador" de Fiodor Dostoievski: o vício do jogo; a roleta que entusiasma os clientes; as paixões; a vida atribulada das pessoas.



Calçada romana de Sanjurge


"O pinheirinho"



Casa do Sr. Valpaços

Olival

Capela de Tairiz ou Paimogo


Souto

Capela de S. Caetano



Capela de S. Caetano (mais antiga)
***
Caminhar permite-nos fazer exercício físico. Controlar o colesterol. Mas permite-nos também reviver a nossa vida em catadupa. Durante 12 km de distância, percorridos em 2 horas e 30 minutos, a nossa mente divaga ... divaga ... divaga ... pela infância, pela família, por locais, por momentos alegres e tristes, pela escola, pelo liceu, pelos colegas, pelas frustrações, pelos êxitos, pelos amores e desamores, pelas profissões, pelo trabalho, pelos momentos de lazer, pelo que nos dizem e pelo que dizemos aos outros, pelos sonhos, pela imaginação, pela realidade, pela fé e a desesperança, pela guerra e pela paz, pelo Iraque, pelos países subdesenvolvidos, pela fome, pela abundância, por uma esquizofrenia sã e verdadeira. Por tudo isto gosto de caminhar em direcção ao infinito.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Inverno verde ...


... junto ao Castelo de Chaves.

domingo, 13 de janeiro de 2008

A Matança do Porco

Tudo começava quando a porca paria ou o meu pai trazia da feira de Moimenta um ou dois bácoros. Eram-nos apresentos na grande sala. Nessas salas que tinham a trave, os caibros e as telhas à mostra e negras da fuligem que escapava da cozinha. Depois de cevados durante uma temporada, chegava Dezembro, e na véspera da matança apenas se lhes dava comida ligeira, para a tripa ficar mais vazia. Vinha o dia aprazado e logo de manhã cedo se preparava o ambiente para a matança: a água, a palha, a corda, o banco, pedras para esfregar o couro do cerdo, alguidar para o sangue, o chambaril, a adega onde iria ser pendurado, etc. Chegava o Sr. Zé Carniceiro, como era chamado na aldeia, com os seus apetrechos. Na quintã iam-se juntando os ajudantes. O matador entrava no cortelho. Procurava a bizarma e tentava enfiar-lhe a corda no focinho. Os grunhidos lancinantes antecipavam a morte anunciada. O animal preso à corda era arrastado para o banco do suplício. Um agarra-lhe o rabo, outro uma pata, outro uma orelha. Finalmente o animal é deitado no banco e o Sr. Zé prende o focinho à tábua rechada do banco. Preso o animal, coloca-se o alguidar com um pouco de vinagre no fundo por baixo da garganta do cerdo. Imobilizado, eis que o matador espeta a faca no pescoço do porco. A chiadeira é estridente. o sangue cai a jorros no alguidar. O porco ainda esperneia. Tenta mexer a cabela mas sente-se impotente. Dá ainda uma patadas a quem o segura nas traseiras, mas os homens seguros do que estão a fazer dominam o bicho. Mais umas esperneadelas. Mais um esticão. Vem o desfalecimento a caminho da morte. E tudo se prepara para a fase seguinte: a limpeza do animal.

sábado, 12 de janeiro de 2008

De visita a Montalegre

Sempre gostei da Região do Barroso: das suas paisagens, das suas gentes, dos seus costumes, do seu clima, das suas tradições, das suas estações do ano. Conheço algumas aldeias barrosãs.
Quando os filhos eram pequenos, sempre que se avizinhava neve, lá íamos de visita a Montalegre. Aquela paisagem espraiava as nossas preocupações do dia a dia, e vínhamos de lá retemperados para mais uma semana de trabalho.
Sou assíduo à feira do fumeiro. Por isso, mais uma vez, marquei presença neste evento.
A Região do Barroso consegue manter, ao longo do ano, um certo turismo, que contribui para o desenvolvimento económico a Região.
Aqui ficam alguns "olhares" que a câmara captou.
Castelo de Montalegre

Feira do fumeiro


Chega de bois - escultura


Serra do Larouco


sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

José da Fonte Santa

Não te esforces poeta.
Prefere ser anónimo
do que falsamente
admirado por quem
não presta.

José da Fonte Santa


Esta semana, ao pesquisar na Internet, descobri que as Edições Colibri (em colaboração com a Câmara Municipal de Santiago do Cacém) tinham publicado duas obras sobre José da Fonte Santa. Através do email da editora requisitei imediatamente esses dois livros. Recebi-os hoje, e leio-os com alguma avidez. Pelas leituras fiquei a saber que o Sr. Zé faleceu no ano de 1998.
Conheci o Sr. Zé (como gostava de o chamar, apesar de me pedir várias vezes para não o tratar por Senhor) em Santiago do Cacém no ano de 1981. Encontrava-me diariamente com ele no Café Ribatejano, onde gostava de o ouvir falar de literatura, de política, do passado e outras histórias. Falava-me de Tolstoi e de outros escritores como me falava das ruas de Santiago e das suas gentes. De igual modo me falava das lutas políticas que travara contra o regime de Salazar. Ou das várias histórias que vivera ao longo da sua vida. Homem culto, galã, com princípios muito consistentes dos quais não abdicava. Era um conversador genuinamente nato.
Um dia mostrei-lhe um poema meu. No dia seguinte ofereceu-me um desenho da sua autoria e no canto superior esquerdo escreveu: "Ao poeta Fernando Almeida" - Ass. José da Fonte Santa. Fiquei atrapalhado. Mostrara-lhe um poema e tratava-me por poeta!? Reparou no meu embaraço e disse-me: " Quem escreve um poema destes, é porque é poeta". Mais embaraçado fiquei. O Sr. Zé era assim ... , uma pessoa generosa e solidária. Os outros estavam sempre em primeiro lugar.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Paisagem

Depois do almoço, dei "uma volta" e vi ...

Paisagem

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Paisagem


Margens do rio Tâmega, em Chaves

A água, as margens, as árvores, os reflexos, as nuvens, o céu, a ilusão, ...





domingo, 6 de janeiro de 2008

sábado, 5 de janeiro de 2008

Chaves

Ponte Romana

Hoje, pela manhã, captei esta foto. E recordei Agosto de 1983, quando, pela primeira vez, conheci esta bela cidade trasmontana. Cheguei e vi uma cidade cosmopolita, com as ruas apinhadas de gente, uma cidade turística, que me surpreendeu imenso. Afinal, Trás-os Montes não tinha nada a ver com a ideia que havia formulado.

As pessoas mudam, as pedras são imutáveis.


terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Passagem de ano em Chaves - Contraste

Fogo de artifício na Lapa
Vidros partidos, devido ao fogo de artifício

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

domingo, 30 de dezembro de 2007

Coimbra



Da parte da manhã, visita à Casa Museu Miguel Torga. Só a vi por fora.
O horário, afixado no portão, indica que só pode ser visitada das segundas aos sábados, das 14.00 às 18.00 horas.
Fica para a próxima.



***


De tarde, Call Girl, de Antóno-Pedro Vasconcelos. Trata-se de um bom filme, com bons actores e com uma história muito interessante.

***

À noite, leitura de "viajar com... João de Araújo Correia", escritor nascido no dia 1 de Janeiro de 1899 em Canelas do Douro, concelho de Peso da Régua. Morre a 31 de Dezembro de 1985. Exerceu a profissão de médico, e escrevia "nas pausas do atendimento dos doentes". A Régua, o Douro e as suas gentes são o móbil da sua escrita.

sábado, 29 de dezembro de 2007

Coimbra

Milhentas vivências vividas na Universidade, na Praça da República, no Café Moçambique, no Pigalle, na Biblioteca Geral da UC, no Teatro Gil Vicente, na Baixa, ...

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Morte de Benazir Bhutto

Benazir Bhutto foi assassinada. Não acreditava que fosse morta por muçulmanos.
A convivência, por vezes, é difícil, independentemente da casta a que se pertence ou da religião que se professa.
Sempre admirei as pessoas que dão a vida por convicções.

Projecto sobre a gestão das escolas

Está para consulta pública o projecto sobre a gestão das escolas.

É muito discutível a diminuição dos representantes dos professores no Conselho Geral; a impossibilidade de o presidente do Conselho Geral não poder ser professor da escola; a forte representação das autarquias, essencialmente nas escolas secundárias, onde não têm nenhumas competências ao nível de recursos físicos e humanos; a concentração de poderes no director da escola; a nomeação dos coordenadores dos departamentos por parte do director.


terça-feira, 25 de dezembro de 2007

A Soma dos Dias

Missa do Galo. Costuma-se dizer que o Natal já não é o que era. A sociedade de consumo absorve grande parte dos valores a ele associado.

***

Estou a terminar "A Soma dos Dias" de Isabel Allende. É um livro de memórias dedicado "Aos membros da minha tribo, que permitiram que contasse as suas vidas". A autora conta-nos a sua relação com o marido Willie, a sua força e valentia frente às adversidades, as suas viagens e as relações com os familiares e amigos. Muito amor, muita luta, muita narrativa, muita escrita.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Dia de Consoada em Chaves


Recordo a aldeia, a meninice, a perda de familiares.
O Natal é nostalgia e saudade.
Mas..., acordo e caio na realidade: uma nova família e um novo ambiente.
O Natal também é alegria e uma esperança renovada.

domingo, 23 de dezembro de 2007

Penedono

Não pude deixar de ler novamente estes versos de Camões, expostos na Estalagem de Penedono, referentes aos Doze de Inglaterra e ao "Magriço" (Álvaro Gonçalves Coutinho, natural desta vila) - (episódio histórico ocorrido cerca de 1390).

60
"Já num sublime e público teatro
Se assenta o Rei Inglês com toda a corte.
Estavam três e três e quatro e quatro,
Bem como a cada qual coubera em sorte;
Não são vistos do Sol, do Tejo ao Batro,
De força, esforço e de ânimo mais forte,
Outros doze sair, como os Ingleses,
No campo, contra os onze Portugueses.

61
Mastigam os cavalos, escumando,
Os áureos freios com feroz semblante;
Estava o Sol nas armas rutilando
Como em cristal ou rígido diamante;
Mas enxerga-se, num e noutro bando
Partido desigual e dissonante
Dos onze contra os doze, quando a gente
Começa a alvoroçar-se geralmente.

62
Viram todos o rosto aonde havia
A causa principal do reboliço:
Eis entra um cavaleiro, que trazia
Armas, cavalo, ao bélico serviço;
Ao Rei e às damas fala, e logo se ia
Para os onze, que este era o grão Magriço.
Abraça os companheiros, como amigos,
A quem não falta, certo nos perigos.

63
A dama, como ouviu que este era aquele
Que vinha a defender seu nome e fama,
Se alegra, e veste ali do animal de Hele,
Que a gente bruta mais que virtude ama.
Já dão sinal, e o som da tuba impele
Os belicosos ânimos, que inflama;
Picam de esporas, largam rédeas logo,
Abaixam lanças, fere a terra fogo.

64
Dos cavalos o estrépito parece
Que faz que o chão debaixo todo treme;
O coração, no peito que estremece
De quem os olha, se alvoroça e teme.
Qual do cavalo voa, que não desce;
Qual, co cavalo em terra dando, geme;
Qual vermelhas as armas faz de brancas;
Qual cos penachos do elmo açouta as ancas.

65
Algum dali tomou perpétuo sono
E fez da vida ao fim breve intervalo;
Correndo algum cavalo vai sem dono,
E noutra parte o dono sem cavalo.
Cai a soberba Inglesa de seu trono,
Que dois ou três já fora vão do valo.
Os que de espada vêm fazer batalha,
Mais acham já que arnês, escudo e malha.

66
Gastar palavras em contar extremos
De golpes feros, cruas estocadas,
É desses gastadores, que sabemos,
Maus do tempo, com fábulas sonhadas.
Basta, por fim do caso, que entendemos
Que com finezas altas e afamadas,
Com os nossos fica a palma da vitória,
E as damas vencedoras, e com glória.

67
Recolhe o Duque os doze vencedores
Nos seus paços, com festas e alegria;
Cozinheiros ocupa e caçadores,
Das damas a fermosa companhia,
Que querem dar aos seus libertadores
Banquetes mil, cada hora e cada dia,
Enquanto se detêm em Inglaterra,
Até tornar à doce e cara terra.

68
Mas dizem que, contudo, o grão Magriço,
Desejoso de ver as cousas grandes,
Lá se deixou ficar, onde um serviço
Notável à Condessa fez de Frandes;
E, como quem não era já noviço
Em todo o trance, onde tu, Marte, mandes,
Um Francês mata em campo, que o destino
Lá teve de Torcato e de Corvino"

Luís de Camões, OS LUSÍADAS, Canto VI, 60-68

Chaves - Sedielos - Ferreirim

Funeral de um familiar que se encontrava acamado há cerca de dez anos. Assinalo aqui o trabalho hercúleo da esposa que o apoiou durante todo este tempo.

Na ida para a aldeia, fiz um desvio para conhecer Sedielos, a escola de Sobre a Fonte e Mesão Frio. Não conhecia a parte Oeste do concelho de Peso da Régua. A paisagem com os seus vinhedos, os seus socalcos e o rio Douro continuam a deslumbrar-nos. Também é visível parte do maciço granítico da serra do Marão.

(Frustração no fim da viagem. Como a máquina digital estava avariada adquiri uma descartável - resultado: cerca de 25 fotografias péssimas).

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

A Iniciativa Novas Oportunidades

(Fonte: Imagens Google)

Alguns vêem a árvore e não vêem a floresta. Outros vêem a floresta, mas não conhecem as árvores que a compõem.
Vem isto a propósito de um artigo publicado no dia 21 de Dezembro de 2007, no Notícias de Chaves, intitulado "Somos um país do faz de conta ..."
A dado passo, o autor do artigo escreve que o actual Governo diplomou "em semanas, ou meses, milhares de cidadãos, com certificados oficiais que equiparam ao 9.º ou ao 12.º anos, titulares que a outros cidadãos exigiram muitos anos de canseiras, de sacrifícios, de encargos" e que se cometem "verdadeiros atentados «ao saber de experiência feito»".
Conforme há bons e maus jornalistas, também há boas e más Novas Oprtunidades.
Conheçam-se as árvores e as florestas, e respeite-se o trabalho e a seriedade de cada um.

NATAL

A abstracção não precisa de mãe nem pai
nem tão pouco de tão tolo infante

mas o natal de minha mãe é ainda o meu natal
com restos de Beira Alta

ano após ano via surgir figura nova nesse
presépio de vaca burro banda de música

ribeiro com patos farrapos de algodão muito
musgo percorrido por ovelhas e pastores

multidão de gente judaizante estremenha pela
mão de meu pai descendo de montes contando

moedas azenhas movendo água levada pela estrela
de Belém

um galo bate as asas um frade está de acordo
com a nossa circuncisão galinhas debicam milho

de mistura com um porco a que minha avó juntava
sempre um gato para dar sorte era preto

assim íamos todos naquela figuração animada
até ao dia de Reis aí estão

um de joelhos outro em pé
e o rei preto vinha sentado no

camelo. Era o mais bonito.
depois eram filhoses o acordar de prenda no

sapato tudo tão real como o abrir das lojas no dia
de feira

e eu ia ao Sanguinhal visitar a minha prima que
tinha um cavalo debaixo do quarto

subindo de vales descendo de montes
acompanhando a banda do carvalhal com ferrinhos

e roucas trompas o meu Natal é ainda o Natal de
minha mãe com uns restos de canela e Beira Alta.


João Miguel Fernandes Jorge, Actus Tragicus
Lisboa, Editorial Presença, 1979

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Eurocidade Chaves-Verín

(Fonte: Imagens Google)

Apresentação do projecto Eurocidade Chaves-Verín.
Segundo as autoridades presentes, trata-se de uma ideia, de uma cooperação de vizinhança, de um programa transfronteiriço com possibilidade de candidatura a fundos comunitários.
Talvez ajude a combater a desertificação desta região do Alto Tâmega.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Marcel Proust

(Fonte: Imagens Google)


Escreveu Proust: “quando, todavia, um ser é mal constituído (e, na natureza, tal ser é sem dúvida o homem) que não possa amar sem sofrer, e só na dor aprenda a verdade, torna-se-lhe fatigante a vida. Os anos felizes são anos perdidos, espera-se um desgosto para trabalhar. A ideia de sofrimento prévio associa-se à do labor, teme-se toda a obra nova, pensando nas agruras que será mister suportar antes de concebe-la. E como se compreende que o sofrimento é ainda o que de melhor se encontra na vida, chega-se a pensar sem medo, quase como numa libertação, na morte”.

O Passado e o Futuro

Disse George Burns, comediante norte-americano. "Olha para o futuro - é lá que vais passar o resto da tua vida." (in Público de 12/12/07).
Porque será que ando sempre a olhar para o passado?

sábado, 8 de dezembro de 2007

O fracasso do ensino profissional

Segundo o Expresso de hoje, o professor Domingos Cardoso, reformado, escreveu ao Presidente da República, referindo que os Cursos de Educação e Formação "são uma mentira"; que "é preciso que o país saiba que tipo de filhos estão as famílias portuguesas a criar e que os professores estão cansados, desanimados, desautorizados e com vontade de arranjar outra ocupação"; que a sala de aula é "uma extensão do recreio", onde os alunos aparecem sem trazer uma esferográfica ou uma folha de papel; que "trazem o boné, o telemóvel, os «headphones» e uma vontade incrível de não aprender nem deixar aprender.
O que me surpreendeu foi o autor da carta dizer que "de perto de 500 «mails», chamadas telefónicas e mensagens de telemóvel" que recebeu, ficou com a informação de que esta situação é geral.
Será mesmo? Ou serão casos isolados?

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Leituras

Leio "Os Meus 35 Anos com Salazar" de Maria da Conceição de Melo Rita e Joaquim Vieira, que nos dá uma visão "caseira e humana" de Salazar.
Hoje, leio no Público uma reportagem sobre o assassinato do médico António Ferreira Soares, "O médico dos pobres, como era tratado por não cobrar pela consulta e dar dinheiro para os medicamentos", que sucumbiu às mãos da PVDE (Polícia de Vigilância e Defesa do Estado) na manhã de 4 de Julho de 1942.

domingo, 2 de dezembro de 2007

Memórias de Natal

Igreja de Ferreirim
( Fonte: Imagens Google )
Escreveu Isabel Allende em Paula que " A escrita é uma longa introspecção, é uma viagem até às cavernas mais obscuras da consciência, uma lenta meditação. Escrevo às apalpadelas no silêncio e pelo caminho descubro partículas de verdade, pequenos cristais que cabem na palma da mão e justificam a minha passagem por este mundo".
Vem esta citação a propósito das nossas memórias. Memória significa reproduzir ideias e imagens; recordar, lembrar. E, quando recordamos o Natal, fazemos uma introspecção, procuramos partículas do nosso passado, pequenas peças que fazem parte de um puzzle, que justificam a nossa passagem por este mundo, como refere a autora do romance Paula.
As imagens, nesta quadra, reproduzem-se em catadupa; aos solavancos; em espiral; umas vezes ordenadas, outras vezes desordenadas; umas vezes nostálgicas, outras vezes alegres e felizes; umas vezes claras e lúcidas, outras vezes opacas e obscuras.
Na aldeia onde fui nado e baptizado e me criei são e escorreito - parafraseando Aquilino Ribeiro - aconteceram muitas vivências, que recordo sempre com muito agrado: o acreditar no Pai Natal; as nozes e os confeites (às vezes eram uns escudos) que ia procurar de madrugada à bota que deixava na chaminé, e que mais tarde vim a saber que esse "milagre" era obra dos meus pais; as grandes nevadas (antigamente não havia Natal sem neve); o sincelo agarrado aos ramos das árvores; a procura de musgo para contribuir para a feitura do Presépio da Igreja; as filhós estaladiças com o açúcar cristalizado das geadas; as couves tronchudas que ia buscar ao campo para serem cozidas e comidas com o bacalhau na ceia de Natal; a reunião familiar na noite de consoada; o jogo do rapa; o jogo do par ou pernão?; a missa do galo; o enorme cepo que ardia no largo da aldeia, e onde nos aquecíamos até altas horas da madrugada; o beijar o Menino Jesus na Missa de Natal; os leilões à saída da Igreja, obra das dádivas dos conterrâneos; o fato domingueiro obrigatório aos domingos; os lençóis frios que sentia ao deitar; o borralho quente e solidário nos dias de Inverno; o bafo quente dos animais quando de noite lhes chegava o feno ou a palha triga.
Sei lá ..., um conjunto de sensações e de vivências que me vêm à memória nesta época do ano.